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Pabellón Walk&Talk

Proyecto: Pabellón temporal Walk&Talk

Ubicación: Ponta Delgada, Portugal, 2019

Arquitectos: Tomás García de la Huerta, Xaviera Gleixner, José Miguel Pinto

Colaborador: Jonas Klaaßen

Producción: ArtWorks

 

El proyecto obtuvo el Primer Lugar en el concurso “Pabellón Walk&Talk 2019”, el cual se construirá durante el Festival de las Artes de Azores, en Ponta Delgada, entre el 5 y 20 de julio 2019. 

 

1.

Propomos, através deste pavilhão, incentivar uma certa surpresa  e provocar uma sensação de estraneza. Um espaço que, de alguma forma, possa gerar um equilíbrio entre o interior e o exterior – uma conexão necessária com o contexto, uma desconexão necessária para abrigar e conter uma experiência.

Este será um pavilhão que não passará despercebido, que não quer ser esquecido facilmente, transformando-se no símbolo e núcleo central deste festival. Para isso, propomos um corpo estranho, algo singular, que reduza ao máximo as suas divisões, evitando protocolos e reunindo todos os que nele estarão presentes num só espaço flexível. Todos os espaços deste projecto poderão ser ajustados e organizados de diversas formas através da sua vocação aberta e multifacetada, fortalecendo a conexão, o diálogo, a interacçãoou o jogo.

2.

Um pavilhão com um traje que o envolve, protege e ocupa o seu rosto. Um perfil invulgar que busca uma relação geográfica em relação ao lugar que ocupa, confundindo-se ou completando a expressiva topografia desta ilha. Um manto que evoca vestes antigas e longínquas tradições desta região, coroando e protegendo o núcleo deste projecto.

Sob este manto negro encontramos esse núcleo aberto e protegido e, ao seu centro, o palco, a zona de espetáculos, que é ao mesmo tempo um elemento de conexão e um elemento de divisão – dependendo do horário e da programação que aconteça neste espaço. É um espaço, sobretudo, que aumenta possibilidades, um centro democrático que pode ser utilizado não apenas por artistas mas, em muitos momentos, por todos que experienciem este lugar.

Procurou-se que o palco pudesse ser de facto um elemento híbrido, flexível e mutável, que possa ter a possibilidade de escolher várias frentes e estendersealém dos próprios limites do pavilhão.

Na cobertura somos confrontados com uma grande esfera que estrutura o espaço dando-lhe verticalidade e luz, permitindo ao mesmo tempo que projectemosimagens sobre ela, coroando e assinalando a zona do espectáculo. Este elemento de ar funciona como um cérebro, no sentido em que pode ter associados a si certos sentidos e percepções, como sensores de movimento, diferentes luzes, microfones, etc. É como um órgão que distorce e revitaliza as dimensões do espaço e o pode projectarpara um imaginário.

O projecto organiza-se então desde esse pátio e é limitado por dois volumes simples com estrutura de madeira onde estará todo o programa privado deste pavilhão. Através destes cobrimos todas as necessidades técnicas e logísticas do programa mostrando também, através dos materiais o que revestem, imagens/sombras e a sua própria estrutura do pavilhão.

3.

A nível constructivoe técnico optou-se, para os dois volumes de madeira, numa modulação standard de 1,2×2,40m, que pode adaptar-se a diferentes revestimentos. Estas estruturas estão pensadas para que possam ser pré-fabricadas e transportadas para o local e têm como matéria prima a madeira Criptoméria, tradicional e vasta neste arquipélago dos Açores. O policarbonato ondulado semi-transparente, com chapas de dimensões de 2500x810x5mm irá revestir as fachadas destes dois volumes. Através deste material podemos proteger o interior e, ao mesmo tempo, mostrar e iluminar estas fachadas. Parece-nos interessante que, de dia, o espaço interior se possa iluminar através deste material e que, durante a noite, o mesmo se possa iluminar através da luz que estará no interior do pavilhão, existindo assim uma conexão entre estas duas realidades.

A forma como o pavilhão toca no chão foi pensada de maneira nobre, elevando-o do chão através de vigas de madeira que recebem o revestimento de piso interior. Através desta solução podemos cuidar e preservar de uma forma muito mais efectivaestes volumes, prevenindo problemas como a humidade e o desgaste da própria madeira. Esta solução poderá permitir uma boa reciclagem e reaproveitamento dos volumes após o término do festival, podendo ser utilizado para outras instâncias.

Na cobertura encontramos uma tela preta opaca e impermeável de poliéster com cerca de 270m2 e com um peso de 70g/m2, que cobre e protege todo o pavilhão. No seu polo norte propomos uma mudança de cor no material para que possamos obter luz natural durante o dia, iluminando de uma forma subtil o espaço interior através de uma tela transparente, também ela impermeável.

O elemento que a estrutura este manto é uma esfera de 6,8m de diâmetro em PVC branco opaco de 380g/m2, que ocupa um volume de 165m3 e que tem um peso de 109Kg. No seu interior existe uma luz Led que permitira a esta esfera iluminar-se durante a noite, ou manter-se apagada permitindo a projecçãode imagens na mesma. A suportar a esta esfera estará uma estrutura metálica ligeira que se irá apoiar na madeira existente nos dois volumes do pavilhão. Este elemento permitirá estabilizar a esfera e irá também possibilitar a colocação de elementos técnicos audiovisuais como luzes e sistemas de som na sua estrutura, funcionando também como teia técnica.

A estabilizar esta esfera estarão um conjunto de 4 pedras vulcânicas locais que irão conectar o pavilhão ao solo através de cordas que serão, por sua vez, agarradas às rochas.

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REFERENTES

a) Azorean Capotes, popular costumes  b) Helium Pavilion, GA estudio  c) Mulheres de capote in Ponta Delgada, Azores  d) Wrap In Wrap Out , Christo  

e) Prototypes, GA estudio  f) Picture of a table, GA estudio  g) Wrapped Reichstag, Christo  h) Wrapped Snoopy House, Project for Charles M. Schulz, Christo.

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